Resposta rápida: Melhorar a acústica no open space exige três frentes: reduzir a geração de ruído com layout e zoneamento, bloquear a propagação com divisórias e mobiliário, e absorver o som com materiais adequados em superfícies. Isoladamente, nenhuma medida resolve; combinadas, transformam o ambiente.
O plano aberto prometia integração e entregou, em muitos escritórios, distração constante. Conversa ao lado, chamada em viva-voz, telefone tocando: a acústica no open space é hoje uma das principais queixas de quem trabalha em ambiente compartilhado — e um problema de produtividade, não de etiqueta.
Por que o ruído derruba o rendimento
O incômodo maior não é o volume, é a inteligível: conversa compreensível ao fundo disputa atenção com a tarefa. Cada interrupção exige tempo de reengajamento, e o efeito acumulado ao longo do dia é significativo. Ambientes ruidosos também elevam fadiga e irritabilidade, com impacto direto em clima organizacional.
Frente 1: reduzir a geração de ruído com layout
- Zoneamento: separe áreas de conversação intensa (comercial, suporte) das áreas de foco (técnico, financeiro).
- Circulação: mantenha corredores e copa longe das estações de concentração.
- Salas de apoio: ofereça cabines ou salas pequenas para chamadas, tirando a conversa do plano aberto.
Frente 2: bloquear a propagação
Aqui entram divisórias e mobiliário como barreira física. Painéis entre estações, divisórias de altura adequada e armários posicionados estrategicamente interrompem a linha direta do som entre postos. A altura importa: barreiras muito baixas não bloqueiam a conversa na altura da cabeça de quem está sentado.

Divisórias também organizam visualmente o espaço e criam sensação de território, o que reduz o próprio volume das conversas.
Frente 3: absorver o som
Superfícies duras — vidro, concreto, pisos rígidos — refletem som e prolongam a reverberação. Materiais absorventes em forros, painéis e revestimentos reduzem esse eco, tornando o ambiente perceptivelmente mais calmo mesmo com o mesmo número de pessoas. Mobiliário com revestimento têxtil contribui na mesma direção.
Fone de ouvido não resolve acústica no open space
Em quase todo escritório com problema de ruído existe a mesma solução informal: a equipe inteira de fone. Funciona como analgésico e vale reconhecer o alívio que traz, mas é sintoma, não solução — e cobra um preço que costuma passar despercebido.
Quem trabalha de fone o dia inteiro fica indisponível para a interação espontânea que justifica o escritório existir. Perguntas rápidas viram mensagem, o colega ao lado precisa tocar no ombro para falar, e a colaboração que motivou o plano aberto deixa de acontecer. O ambiente vira um conjunto de pessoas isoladas no mesmo espaço.
Há ainda o efeito sobre a percepção de cuidado: fone permanente comunica que a empresa transferiu ao colaborador a solução de um problema do ambiente. Resolver a acústica no open space na origem devolve ao espaço a função que ele deveria ter — e libera o fone para quando a pessoa realmente quiser se isolar.
Erros que pioram a acústica no open space
- Vidro em todas as superfícies. Bonito na foto, péssimo no som: reflete tudo e prolonga a reverberação.
- Divisórias baixas demais. Abaixo da altura da cabeça de quem está sentado, elas não bloqueiam conversa — apenas dividem a mesa.
- Copa ou café colado na área de foco. É o ponto de conversa mais alto do escritório, e costuma ser posicionado por conveniência de encanamento.
- Não prever lugar para chamadas. Sem cabine ou sala pequena, toda videoconferência acontece no plano aberto.
- Tratar só o teto. Forro acústico ajuda, mas sozinho não resolve a propagação horizontal entre postos vizinhos.
- Crescer sem revisar. Cada pessoa nova eleva o patamar de ruído; o layout que funcionava para trinta não funciona para cinquenta.
Como priorizar o investimento
- Identifique onde estão as queixas e o que gera o ruído naquele ponto.
- Ajuste layout e zoneamento primeiro: é a medida de menor custo.
- Instale barreiras físicas nas áreas críticas.
- Trate as superfícies reverberantes com materiais absorventes.
- Combine com política interna de uso de salas para chamadas.
Vale registrar também que acústica é um problema cumulativo: cada nova pessoa no mesmo espaço eleva o patamar de ruído. Por isso, escritórios que crescem sem revisar layout e barreiras costumam ver as queixas ressurgirem alguns meses depois de uma intervenção bem-sucedida.
Como medir se o problema melhorou
Acústica é percepção, mas dá para acompanhar. Antes da intervenção, registre as queixas por área e pergunte à equipe com que frequência se sente interrompida. Depois, repita a mesma pergunta. A variação mostra se o investimento acertou o alvo.
Vale também observar comportamentos: se as pessoas param de usar fone o dia inteiro, se as salas de apoio passam a ser ocupadas para chamadas e se as conversas no plano aberto ficam mais curtas, o ambiente melhorou de fato.
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Perguntas frequentes
Divisória resolve a acústica no open space?
Ajuda de forma relevante ao bloquear a propagação direta, especialmente em altura adequada. O melhor resultado vem da combinação com zoneamento e absorção. Divisória instalada isoladamente costuma decepcionar, porque o som contorna a barreira e continua refletindo no teto e nas paredes duras. Já divisória na altura correta, somada a forro absorvente e a uma sala de apoio para chamadas, muda o ambiente de forma perceptível.
Vale voltar ao modelo de salas fechadas?
Raramente é necessário. Uma solução híbrida — plano aberto com áreas de foco e salas de apoio — costuma equilibrar colaboração e concentração com melhor uso do espaço.
Acústica entra nas obrigações de ergonomia?
Conforto acústico faz parte das condições ambientais de trabalho consideradas pela ergonomia, junto de iluminação e temperatura. Isso significa que tratar a acústica no open space não é só melhoria de conforto: é parte da adequação do ambiente, e entra na mesma avaliação que analisa mobiliário e posto de trabalho. Vale registrar as queixas recebidas e as medidas adotadas, porque esse histórico costuma ser solicitado junto ao restante da documentação de ergonomia.
Fonte: NR-17 (Ergonomia) — Ministério do Trabalho e Emprego
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